Cara, e se eu estiver gostando
mesmo de você? Que é que a gente vai fazer disso? Dessa minha vontade absurda
de te querer por muito mais que duas horas e um orgasmo. Dessa minha ansiedade
de ter que esperar a semana passar pra eu poder te ver de novo. Dessa minha
necessidade de ter seus olhos poderosos sugando qualquer restante do meu
controle quando estou perto de você. Dessa minha fascinação pelo seu sorriso
que a mim soa tão ingênuo e pueril. Dessa câmera fotográfica milimétrica na
qual meus olhos se transformam ao registrar cada detalhe marcado no teu corpo;
suas pintinhas tão delicadas, no rosto, do lado direito, um pouco acima dos
pelos magnéticos da tua barba; e não só ali, mas também em todos os outros
cantos escondidos da sua pele clara que me fazem sentir privilegiada em poder
saber que elas estão ali. Que é que a gente vai fazer disso? Das suas mãos que
se prendem à minha cintura e dos seus dedos que me fazem contorcer o quanto
posso. Dos seus gemidos de prazer enquanto te sinto por toda extensão que minha
língua permite. E da sua retribuição não menos prazerosa. Que é que a gente vai
fazer das mensagens trocadas com uma malícia que não sobressai o meu carinho? E
das vezes em que você quiser dormir sobre o meu braço que torno imóvel pra que você
não acorde. Dos seus pés branquinhos e tão bem cuidados que eu sempre quero
massagear na tentativa de aliviar com toda vontade um pouco do seu cansaço de
todo dia. E dos meus dedos que se perdem em meio aos seus cabelos curtos
querendo nunca mais voltar. Que é que a gente vai fazer desse meu medo terrível
de me apaixonar perdidamente por você? De me por a prova dos meus próprios monstros em
troca da liberdade do meu coração. Que é? Que é que a gente vai fazer? Dessa minha
compulsão pela sua voz. Dessa minha veneração pela tua beleza. Dessa minha
adoração pela tua barba que arrepia todos os meus poros quando vai de encontro à
minha nuca. E até da sua barriga que eu adoro que não seja malhada. Que é que
eu vou fazer pra acabar com essa desconfiança do que eu sinto? Que é que eu vou
fazer pra exterminar todos os indícios de resistência á você? Ainda que seja
pra eu quebrar a cara e o coração outra vez; ainda que seja por você. Que seja
só por você. Você que tomou o lugar de tantos altos, e loiros, e sarados, e estúpidos,
e de outros bilhões que poderiam me habitar. Você que eu escolhi pra ocupar esse
lugar vazio há tanto tempo – se é mesmo que isso se escolhe. Você que ganhou esse
espaço em tudo que é meu e que agora não me deixa mais só, tampouco livre das
lembranças diárias. A vaga é sua, meu bem, e como promovido à minha paixão, está
encarregado de decidir a próxima cena desse nosso espetáculo ainda sem roteiro
a ser dirigido. A final de contas, que é, então, que a gente vai fazer disso?
Mostrando postagens com marcador Dos relacionamentos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dos relacionamentos. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Peito aberto. Cabeça limpa. Alma lavada.
É essa dúvida que me agoniza. É por não ter a resposta de que tanto preciso, o motivo da angústia que me tomou, e ela só não me faz roer as unhas porque nunca fui adepta desse vício que nada soluciona. E tudo se resolveria com uma confirmação. Simples. Positiva ou não, era a resposta exata que me poria de volta à vida ou então me afogaria ainda mais em mim mesma. E em você. Sempre você que mesmo não sabendo, penso, ainda comanda a entrada de qualquer um do sexo masculino que queira se aproximar desse meu coração já empoeirado, porque aqueles que nem sequer se igualam à sua excelência não são mesmo dignos de me habitar.
Puta que o pariu! Onde é que eu estava com a cabeça quando te dei a liberdade de me tomar por inteiro sem ao menos um questionamento, á princípio, fazer? Também não sei e a procuro ainda com falsas esperanças de encontrá-la perdida por aí. Talvez eu tenha mais sucesso na busca partindo do lugar onde tudo nasceu; onde nos encontramos e eu, então, comecei a me perder. Mas no chão, embaixo da cama que foi onde ficou sua camisa naquele dia, eu não vejo nada. Em cima, em meio aos edredons emaranhados sobre o lençol, idem. Nada pelo chão, nem pelos degraus da piscina, nem mesmo próximo aos bancos que repousavam a preguiça coletiva. Os corredores estão vazios e também não há rastros sobre a mesa da cozinha ou a da varanda que ao menos por duas vezes nos fazia vistos durante o dia.
Sem bons resultados, desisti. E ela, meses depois, foi quem aos poucos começou a me perseguir. Feito zumbi. Fantasma que me fez ver gradativamente as sombras desse problema. Você ainda é meu maior problema. É o que me aprisiona, o obstáculo que me atém a cada novo passo em busca de progresso que tento dar. Progresso esse que por todas as vezes falha. Tento, tento, e mesmo que a cada dia mais distante, você ainda me aparece; zumbi mesmo, não há outra descrição mais próxima da minha realidade. Tá tudo bem, tá tudo certo quando me vem sem mais nem menos uma tempestade torrencial de você, de nós. E te confesso que este fardo eu já não sei mais como carregar. Desde que abandonei essa idéia racionalmente ilusória de querer uma profilaxia pra doença que você plantou em mim – e talvez eu nunca devesse ter assumido essa loucura – tenho constatado que vez em quando é melhor deixar que os impulsos sejam contidos pelo bom senso, pela razão da vida porque assim a gente se poupa de tudo que pode vir a ser sofrimento, possíveis até de alcançar o ridículo. Porque cheguei também a me ridicularizar por você. Tanto, que quando você estava ali ao meu lado, entretanto abrigando por hora o corpo de uma outra a quem escolheu por falta de opção – e tempo – dei continuidade á sua tarefa de tapar os meus próprios olhos e te quis bem, te preparei um suco, alguma coisa leve, não me lembro o quê – tudo em prol do seu estômago que aí dentro urrava e te doía. Talvez eu devesse mesmo ter te deixado sentir a queimação incomodando, quem sabe assim você comprovaria na pele a mesma repugnância que eu sempre engoli goela abaixo e que naquele momento se repetia, tomada pelo nojo de vocês dois.
Com ela ali frente a nós, sobrando em meio a tanto desconcerto e coadjuvando nosso desconforto, o qual enfeitou por alguns poucos longos minutos o quarto em que você dormia, você parecia sentir pena de mim, e suas tentativas compassivas de me fazer cega diante dos fatos escancarados embaixo do meu nariz foram ainda mais patéticas. Espera ela sair da sala e vem pro meu quarto. Ah, por favor, hein. E eu, burra – é, burra – até achei legal da sua parte naquele momento, querer me evitar maiores decepções. Me resumia em migalhas, no seu resto, no seu pó. E tenho náuseas só de lembrar que cheguei a acolher o meu lençol que você, provavelmente num momento fora de si pra cometer tamanha falta de respeito, pegou da minha cama pra forrar seu gozo nutrido apenas por saturação, egoísmo e necessidade de por pra fora aquilo você queria comigo, mas que não teve porque ao menos uma vez na vida te foi cobrada a decência para com uma mulher.
Desprezível. É isso que você deveria ser na minha rotina, mas me escravizei por tanto tempo pelos seus maus tratos – que espero terem sido apenas inconscientes –, que acho que me acostumei com o castigo de gostar de você. Estou mesmo condenada a pagar a pena eterna desse amor sem uma força mínima que me ajude a recorrer, que dirá ser absolvida. E é mesmo um castigo você na minha vida. Me cansa, me esgota e me faz idiota. Uma passível dos mais elevados níveis. Na verdade, acho que nem palavras a esta altura conseguem traduzir o quão pequena e menosprezada me sinto por ainda te dar a relevância que você em dia algum mereceu. Embora enraivecida, indignada, inconformada, e intolerante eu esteja exatamente agora, me atrevo ainda a dizer que não te quero mais. Mesmo estremecida totalmente, dos meus pés trinta e seis ao meu último fio de cabelo dourado, quando te vejo e surpreendentemente, por ti sou ignorada. Mesmo quando você fala comigo e eu concordo com todos os seus pontos finais do nosso discurso quase sempre indireto, porque sei serem em vão todas as minhas tentativas de te convencer de qualquer contrário. Mesmo quando te vejo feliz e tenho plena consciência de que deste seu estado emocional eu não fui participativa em um único suspiro sequer. Mesmo que. Mesmo assim. Mesmo quando. Mesmo sem. Mesmo agora. Mesmo não sabendo por quantos dias mais esse sufoco vai se estender.
A tal dúvida que deu início á esse cuspe na sua cara já não é mais tão derradeira para a minha própria paz. Primeiramente porque sei exatamente o que acontece no seu campo de batalha nesse momento, e não sou tão desalmada a ponto de me ver como o centro do universo enquanto outra gravidade sobressai meu sentimentalismo. Também em razão do futuro não tão distante que me aguarda repleto de nova gente. E ainda pelo seu comportamento pueril, indigno do restante da minha paciência com a qual você, sem moderação alguma, se esbaldou o quanto pode. Além de você por inteiro, não queria também que sua curiosidade que sei ser grande, te trouxesse até aqui fazendo com que você lesse o que desabafo agora, porque não tenho a pretensão, por mais nem uma vez, que você se dê o luxo de ver que ainda te cogito, que te escrevo, te penso. Nem que você saiba que ainda não é tão indiferente na minha vida, embora pessoalmente isso seja tudo que eu tento mostrar e, impressionantemente, é também o que venho conseguindo alcançar – minha neutralidade com e sem o seu contato.
Você me apodreceu, me fez desacreditar de todas as coisas boas que um dia já pensei existir na vida de quem nos deixamos amar. E brotou em mim o medo. Tenho medo de entregar em mãos a minha felicidade pra qualquer nova pessoa e por mais uma vez me decepcionar. Por isso, talvez, é que permaneço na tortura de recuar e agüentar sempre sozinha as toneladas de conseqüências que, descansando sobre minhas costas, se mostram monstruosas em quantidade, densidade e aderência. Nunca fui exageradamente religiosa, mas finalmente, Deus. A única explicação para que tal vitória grandiosa, diga-se de passagem, ocorresse. Se mostrou indubitavelmente mais do que justo e presente na minha vida submissa e devota a quem sequer um dia santo foi – quiçá seria e também nunca será – quando me fez de uma vez por todas perceber que você não vale a pena. Que nunca valeu. Apenas o que me sobra agora é dó de quem ainda se rende e se prende a essa armadilha camuflada em meio aos dentes bonitos que enchem uma boca descompromissada e inconfiável – por mais irônico e duvidoso que isso possa parecer para alguns e algumas. Somos agora dois desconhecidos. Dos mais íntimos que, paradoxalmente, podem existir. E sabe do quê mais? Tô preferindo que seja assim. Uma vez que nos decepcionamos tão ferozmente assim, não há memória do passado, por mais bela e impecável que seja, capaz de sustentar a decadência de uma admiração jogada no lixo – ainda mais pelo seu próprio dono.
sábado, 17 de dezembro de 2011
Vem!
Hoje reservei minha madrugada pra ti. Tô aqui em plena sexta-feira a noite, começando às onze pra ser mais específica, teclando com os esmaltes descascados e uma dor no pé que não sei de onde veio, parecendo uma otária iludida por um cara como você. Mas antes de qualquer coisa, relaxa, porque essa ilusão já passou e faz tempo. Não vou te ligar perguntando onde você tá, nem se eu ainda vou te ver algum dia, porque agora eu sei que vou. Seu tipo eu já consigo reconhecer em qualquer outro de vinte e poucos anos que se aproxime de mim armado com meia dúzia de palavras educadas e um gosto impecável nas roupas que veste – fator que, por sinal, é meu ponto fraco. Estou alerta a essa espécie masculina que ataca e devora suas presas sem dó e de um jeito tão hipnotizante que, por mais imoral que possa ser visto por alguns, só me faz querer ser seu prato principal por mais uma, duas e quantas vezes forem preciso.
Meu, tu é foda! E encare isso como uma qualidade das mais poderosas que um homem pode ter. Que me xinguem as feministas, mas tu é. Não tenho como negar e abaixo a cabeça, sim, pro teu jogo de sedução que ainda me faz cair de quatro, embora eu saiba exatamente como você vai tentar ganhar o pão do dia que, pela noite, será eu mesma sem ninguém que ameace seus esquemas das altas horas. Sei lá como posso tentar explicar o quão ‘fudido’ tu é, aliás, por estar em um dos mais altos patamares dessa categoria, provavelmente sabe melhor que eu da sua excelência. Ganha na marra, com um comportamento peculiar que eu prefiro nem imaginar quantas mulheres já somou em uma lista provavelmente feita alguma vez na vida (porque os homens têm necessidade da matemática nessas horas: números são mais relevantes do que intensidade – juro que ainda quero entender o motivo pra precisar de tanta diversidade). Bom pra você, e indiretamente pra mim também que sou beneficiada de acordo com as suas experiências adquiridas. E não me julguem, nem critiquem, nem repugnem, nem me abulam por eu parecer tão dependente e submissa de um corpo humano. Não o sou. Apenas jogo com as mesmas cartas que põem na minha mesa. E gosto. É algo parecido com aquilo que chamam de defesa pessoal em um tipo de luta que desconheço o nome, mas que no meu caso, têm primeiro e segundo bem conhecidos. Talvez por isso a necessidade de tantas precauções. Famoso e convidativo até pela maneira como trata uma mulher nas conversas mais cotidianas possíveis, é também perigoso e chamativo como aquelas placas que sinalizam obras nas ruas e pisos molhados, ou banners que noticiem a vacina contra um vírus perigoso – ambos com o intuito de prevenir qualquer eventualidade que possa implicar em algum acidente ou doença, graves ou não. De qualquer forma, a intenção é logo avisar os possíveis riscos para que compromissos posteriores não sejam de sua inteira (ir)responsabilidade. Se for assim, pode vir que eu já estou vacinada e meus anticorpus cumpriram seus devidos papéis; agora estou ilesa de qualquer contratempo. Então vem!
Vem que eu quero outra vez te encontrar e dar aos nossos corpos tudo o que eles nos cobram com aquilo que só os próprios podem nos oferecer e nos satisfazer; portanto não temos escapatória, senão a união que é tão bela entre um homem e uma mulher – sem pudores, nem estranhamentos, nem qualquer tipo de receio. Vem que eu quero o que em você é nativo, e em mim é invejado por acompanharem-te a todos os lugares em que seus pés tão bonitinhos pisam, e suas pernas que parecem ter sido esculpidas por algum ser apaixonado que me fizesse apaixonada por elas também, caminhem, e seus dedos e suas mãos que me pegam com tanta firmeza antes de me deixarem toda mole, apalpe. Vem que eu quero também poder ver suas expressões nesse rosto tão lindo onde as combinações gênicas não falharam em um único detalhe sequer; de alegria, de preocupação, de prazer, de sono, de quem foi dominado pelo álcool ou por algum entorpecente que te fizesse sair de si por alguns minutos. Vem que eu quero sentir seus cheiros naturais, da sua pele mesmo, sem camuflá-los por trás de perfumes comercializados por pura vaidade. Do suor no fim do dia, do hálito provindo da cerveja e do cigarro que passaram pela sua boca, do cabelo que quando você acorda fica todo bagunçado e ainda não foram vítimas dos xampus, géis e sprays que burlam o aroma que é característica sua. Vem que eu quero sentir suas secreções pela minha pele, sua saliva umedecendo meu corpo já molhado pelo seu toque onde sou sensível, junto de qualquer sinal que seu corpo expila e me mostre o prazer que você sente naquela hora. Vem que eu quero sentir o gosto de você por inteiro. Teu sal, teu insosso, teu amargo, quero saber o sabor do teu veneno que me anestesia. Vem que eu quero protestar contra todos aqueles que não admitem a atração pelo íntimo do outro e rotulam como algo nojento, ou sujo, ou proibido essa vontade tão natural de quem quer se infiltrar de todas as maneiras cabíveis no corpo que te faz companhia nos melhores momentos da vida. Porque eles mentem e enganam o próprio querer: do tato, do contato, da sensibilidade de tocar e ser tocado, corrompidos por uma sociedade preconceituosa e antiquada de mentes pequenas que, ainda no século vinte e um, tentam maquiar uma realidade que é bela por si só – nua. Vem, porque não existe sujeira onde a química reina mesmo que pela carne, e porque se nada do que digo fosse tão instintivo e natural o quanto de fato é, a humanidade não existiria. Então, vem que a gente mostra a todos eles que pecado é deixar de viver os melhores presentes que podemos proporcionar uns aos outros, a quem desejamos com tanta intensidade, por toda a vida e quantas vezes quisermos. Vem!
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
O processo do desamor
Capítulo I: A nostalgia e a certeza do meu amor.
É que eu tenho vivido bastante tempo contigo por esses dias, sabe. Daí essa disposição para escrever o que me consome nesse exato momento: você. Não, ainda não tô louca e sei que nessas horas você deve tá aí, bem de frente a TV assistindo algum tipo de luta que te remeta aos seus tempos de também lutador, ou ainda encarando a tela do computador ouvindo alguma daquelas músicas que o seu gosto um tanto quanto peculiar repelia os que estavam em volta, porque as batidas escolhidas chegavam a ser irritantes. Enquanto isso eu fico daqui, a uma distância consideravelmente grande da sua casa que não conheci além do portão de entrada, e idem você o da minha. E comigo a chuva mais uma vez, aliás, é engraçado como ela insiste em chegar sempre que te sinto aqui, bem do meu lado. Algo a atrai e eu até gosto. Melancolia às vezes é bom. Tenho me sentido tão sozinha que ela provavelmente veio para ser minha melhor companhia em um fim de semana tão estagnado quanto anda a minha vida ultimamente. Assim tenho tempo para pensar e deixar que as lágrimas imitem o movimento das gotas lá fora e escorram sobre minha pele enquanto releio nosso passado que hoje é póstumo ao menos para ti. E é exatamente assim, por meio dessas letrinhas canhotas e redondas que sempre aparecem no papel quando você aflora em mim, que eu comprovo que te amo: passando meus olhos chorosos pelos relatos do meu pretérito perfeito que, escrito, testemunha meus últimos anos de devoção a você. E olha que eu nunca disse a ninguém um sentimento com tamanha propriedade: amor. Demorei a aceitar e às vezes ainda não sei compreendê-lo, mas tá aqui dentro e não duvido que ele tenha mesmo o nome que o dei, só não sei como descrever. Vai ver que é o tal do feeling: acontece, a gente sente, tem certeza e dispensa as demais provas – sentimentais ou científicas.
Capítulo II: A dependência e o sofrimento solitário.
Eu tinha você como necessidade; e era de tanta coisa que me custou processar o que se passava nesse coração que foi tantas vezes atropelado pela loucura que é sentir amor. Primeiramente, quando minha razão ainda representava em mim alguma porcentagem considerável, era necessário esquecer – os cafés da manhã num horário de quase almoço, os risos porque algum amigo fizera graça, as tardes enjaulados dentro de casa porque a chuva não dava trégua – e por um ponto final no capítulo mais próximo desse romance nada romântico. Acabar de vez com o sofrimento. Em seguida, a necessidade era da carne, do tato, não importam as condições em que viessem. Depois necessitei absurdamente da sua palavra, sua resposta para o meu ‘boa noite’ que eu te dava com tanto afeto, e recebia de volta tão frígido, e também de um pouco mais de sensibilidade no seu olhar que tentava fugir do meu sempre que nos cruzávamos. Necessitei também da distância para me reencontrar e te organizar em mim antes que você me tomasse por inteiro. Cheguei tarde. Tão atrasada que já não me era possível fazer mais nada senão necessitar de apenas uma coisa a mais: compreender; que você estava feliz, que o nosso tempo não era esse, que eu deveria ao menos tentar ficar em paz mesmo que devagar e sem metade de mim, porque essa parte está(va) em suas mãos.
Capítulo III: A percepção da liberdade após o final infeliz.
Mas acho que mudei. É, eu sei que deve ser difícil de acreditar e às vezes eu nem demonstre tal fato, mas confie: é verdade. Ao menos tenho tentado, eu juro. Não que meu amor tenha emagrecido, perdido medidas antes incalculáveis. Acho que ainda é cedo pra tanta radicalização, mas são minhas auto-consultas analíticas que têm surtido um efeito bem mais positivo do que as minhas expectativas. Amém. Minha cama é meu divã, e os fones nos ouvidos, o psicólogo. Sem mais nenhum artefato, dou início à sessão e chego a conclusões antes invisíveis, tamanha cegueira que me conduzia. E tem dado certo. Tanto que indico o medicamento receitado pela auto-análise. Apenas deixe-se, permita-se. Os dias virão e as novas pessoas também, ainda que a princípio seja somente pra cobrir um pouco do buraco que ficou vago no coração devido á partida alheia. Viver ao invés de esperar todos os dias por uma mensagem sua na minha caixa de e-mail, no celular, ou na internet, é a única solução pra fazer com que os meus dias passem menos arrastados e muito mais interessantes. Penso em mim, no que me faz bem da maneira que for. Vou à academia cuidar do corpo que é meu antes de mais ninguém, experimento roupas novas, faço as unhas, testo maquiagens inéditas, saio com as minhas amigas pra respirar e tentar encontrar uma saída desse túnel, o qual parece não ter luz no fim, converso sobre o que me propõem, e acima de tudo, escrevo. Sobre como estou, sobre minhas mudanças repentinas de idéia, humor e sentimentos, que inclusive, agora só me fazem pensar que quem perdeu, meu bem, não fui eu!
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Agridoce
Ficas tão bem de cinza. Já me acostumei a ver-te na cor que pareces tanto gostar, mas prefiro quando tiro a malha do teu peito e colo ele junto ao meu que tu também preferes nu. E eu não faço questão de relutar. Deixo que me mostre toda a habilidade em desabotoar o sutiã meia taça que visto e fico apenas a admirar tua vontade em tão logo me ter em ti – sem conversas, ensaios ou pseudo demonstrações sentimentais que bem sabemos inexistentes. Nossa conexão é completa. Da altura, dos beijos, do propósito. De qualquer forma, apenas nos encaixamos – em únicos, duplos ou triplos sentidos. E é bom assim. Prazeroso e engrandecedor pras minhas próprias experiências com o sexo (oposto). E te gosto, e te quero, e te desejo, e te imploro com meus olhos brilhosos e fixos ao teu olhar castanho claro, esmagador dos meus flertes pelo auxílio das sobrancelhas delineadas que desarmam meu menor sinal de timidez ameaçador em se exaltar. Assim me dominas. Estou inerte. Sou submissa. Apenas sigo teus comandos. E se rebato é pra que sintas também a minha vontade de te ter, e te beijar, e te apertar, e te morder, e te arranhar, e te lamber, e tu gozar, e eu te soltar, e me conter, e tu adormecer.
Tu ficaste ali. Parado e imóvel a alguns poucos centímetros distante de mim, desmaiado num sono dos mais profundos que já vi até hoje. Não se incomodava nem mesmo com a falta do travesseiro que certamente poderia dar-te um pouco mais de conforto depois das horas trabalhadas. Se virava como podia por entre o edredom branco enrolado pelo corpo e, deitado de lado, dormia como um anjo. E que vontade de abraçar, de acolher em meus braços todos os pedaços teus que coubessem em mim. Encaixar tuas costas lisas nos meus seios que acabavam de ser só teus, usar minhas mãos e minhas unhas compridas que tocaram todos os pontos da tua pele só pra acariciar-te e fazê-las viajarem por teus braços cicatrizados, sentindo ao mesmo tempo os teus músculos que por ali são tão palpáveis. Passar meus lábios sedentos pela tua temperatura que a mim é tão necessária, por entre os espaços mais escondidos e íntimos de ti, e minha língua pela tua orelha, pelas tuas coxas, por teu peito, tua barriga; sentir todo o teu gosto e deixar-te arrepiado com um desejo imenso de me fazer sentir prazer outra vez. Bagunçar um pouquinho da tua louridão ainda embutida na pele inteira bronzeada, através da minha força em puxar os teus pelos dourados e acompanhar meus olhos vidrados em ti até a outra extremidade do teu corpo maravilhoso, babando por uma pintinha tão delicada na lateral interior do pé esquerdo. Mas preferi ficar parada, tão estátua quanto a ti que só movimentava, a cada nova inspiração, os pulmões talvez até um pouco gastos pelo cigarro. Zelei teu dormir e, quieta, fiz uma retrospectiva de tudo o que fui sorteada a viver.
Teu cheiro másculo depois de um banho que me fizera derreter em satisfação aromatizava o quarto e insaciava agora os meus pulmões que, nas respirações cada vez mais profundas, tentavam se expandir pra qualquer canto possível querendo que tu coubesses inteiro dentro de mim. Senti. Por dois ou três minutos, senti o perfume do teu corpo pregado no meu. Senti por uma noite o maior prazer que já me deste. Senti-me capaz de dar-te prazer e te fazer gozar da vida e na vida. Senti-me crescida, madura pela convivência contigo. Senti vontade de ir embora. E fui. Por hora sem querer voltar, porque ali estava tudo errado apesar da tua dedicação de sempre em ser perfeito. Tu não fora nem de longe o homem do qual eu precisava, ainda mais sabendo do suposto ‘perigo’ que poderia encontrar no meio do teu trajeto de me levar até o quarto – embora essas preliminares de mera apresentação jamais tenham sido parte do nosso roteiro habitualmente carnal. E talvez por isso é que teve tanta pressa de mim. Insegurança. Seria? Cogitei. Sobretudo, naquele momento era a minha necessidade: ter motivos pra ficar e não querer sair correndo repentinamente atrás da voz que eu, aflita e presa entre quatro desconhecidas paredes, podia escutar com tanta nitidez do outro lado da janela branca. Chorei. Saí e te quis fora do meu corpo, da minha cabeça e de qualquer resquício meu quando dali eu partisse. Falhei. Venceste. Viajaste comigo por toda a estrada de volta à vida rotineira em cada flash rememorado com afinco. Na verdade ainda estás aqui, porque adocico cada partícula da nossa fusão sempre surpresa. Não te odeio nem mesmo se motivos para isso eu tivesse, e talvez tenha, mas não. No que depender de mim, tua paz e teu bem serão por todos os dias teus fiéis escudeiros e te protegerão das insanidades que às vezes cometes sabe-se lá o porquê. De tudo que me possa ser oferecido, só quero o de sempre: a maneira como me conheces e bem sabes administrar. Sem mais açúcar nos dizeres ou limão nos afazeres. Agridoce. Assim os dois opostos são bem mais atraentes. E nós dois também.
domingo, 6 de novembro de 2011
O tal do primeiro amor
Quem é esse que tem nome, sobrenome e um histórico de crimes assustadores na vida da sua vítima mais freqüente? Se souberem, por favor, me dêem o endereço completo de onde ele reside, porque a penalidade atribuída ao infrator não será simbólica. Caso tivéssemos em mãos o poder de conter as loucuras desse ser com identidade, muita dor de cabeça poderia ter sido poupada a todos, que – ironicamente –são reféns de um fugitivo, e apenas mais um dos que já provaram o sabor que pode ser considerado no mínimo estranho para quem era virgem de tal sentimento. É estranho, porque contesta tantos postulados antigamente defendidos por unhas e dentes até que o ousado da vez chegasse. Não sei quanto aos demais, mas a mim isso incomoda, e muito, pois foi dessa maneira que me vi gradativamente perdida na pior das hipóteses de mim mesma, e dei a ele a grande parcela que abdiquei dos meus princípios em troca de quase nada. E foi irreversível.
Com a convivência, só ou não, é chegado um ponto em que já não é preciso contratar detetives e nem clamar por advogados, policiais ou qualquer uma das forças superiores para que seja desvendada a situação. Deixe-se apenas sentir e verá que aquilo é novo, único e inesquecível apesar dos ferimentos que o invasor possa ter deixado como pista de sua passagem. E que podem se passar os anos, as gerações, e outros de afeto similar – mas nunca igual – ao pioneiro, porque ainda assim ele resistirá às fotos batidas prestes a se decompor, às cartas de papel gasto por tantas vezes serem lidas e molhadas devido á companhia das lágrimas e aos aromas que não se perderam nem com a distância do tempo, porque a memória resgata cada partícula do que foi vivido. E então, pela primeira vez você reconhecerá o mais novo habitante do seu mundo paralelo a esse tão mal organizado em que vivemos. Em uma oração simples, a qual deveria te livrar de todo o mal, amém, o sujeito composto por mil e um caprichos anuncia assim como quem não quer nada além de você por inteira: “Prazer, sou seu primeiro amor!”
Já adianto àqueles que, assim como eu, são passageiros de primeira viagem dessa aventura: ele é complicado. Tem suas próprias vontades e bate firme o pé no que deseja mesmo quando a razão, que deveria ser superior a todas as insanidades que o primogênito comete, impõe suas ordens. E ele te fará quebrar a cara também; não há do que duvidar. Além de te fazer masoquista, pois ainda que seja nítido o seu sofrimento e o choro, não deixará que você perceba em outro par de olhos a solução para o encontro solitário de todas as noites com a cama, que não tem outros pés com ou sem meias para brincar enquanto o sono não vem.
Mas também vem para o bem, e junto das trágicas noites mal dormidas e muito bem choradas, te ensinará a crescer. Por dentro, a inocência que exterminou sem dó o que era pura integridade, se transforma e faz nascer uma outra mente, que dessa vez vem multiplicadamente paciente.
Dos benefícios, o maior: saber que ele existe. Ainda que turbulento e de difícil encontro (definitivo) com a realidade, é bom poder acreditar que alguém conseguiu despertar num coração que acabou sendo corrompido por pura revolta e falta de compromisso – consigo e com o outro –, aquilo que até hoje é o que de mais bonito conheci. E quando os dois derem de topa por aí na esquina de casa ou num bar da cidade, o desbravador que conseguiu nela a proeza do amor, merecerá ser homenageado com Oscars, foguetes e medalhas áureas e maciças. E ela, com beijos na testa, abraços de despedida, cócegas na barriga e, enfim, a retribuição da primeira e até hoje única plenitude que nunca lhe foi sem sentido e em hipótese alguma, desacreditada.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Hoje, nada mais que devaneios
O que eu queria é saber por onde anda você às dezessete e dezenove da tarde, exatamente agora, enquanto estou aqui mexendo nos meus cabelos como o de costume que faço ao mesmo tempo em que escrevo. Você eu não sei o que faz, mas queria. E como. Queria poder estar na sua casa assim que você chegasse, e saber o que é que aconteceu durante o seu dia, e lá, te oferecer toda recompensa das suas horas cansativas. Massagear seus pés que acho tão bonitinhos, e te fazer carinho bagunçando seus fios curtos quando você se deitasse no meu colo, e me contasse empolgado sobre as suas conquistas que me deixariam ainda mais orgulhosa de você rente a mim, ou então dos obstáculos para consegui-las, me dando assim a oportunidade de te motivar a não desistir. E quando eu me levantasse do sofá que pareceria ter um ímã me puxando de volta às almofadas para que eu não saísse em momento algum de perto de você, prepararia uma bebida acompanhada de alguma coisa prática e instantânea para comermos, porque cozinhar nunca foi meu dom maior. E se você quisesse assistir um filme, por mim tudo bem. Não ligo, até porque eu não prestaria o mínimo de atenção nas cenas de aventura ou ação, as quais você provavelmente escolheria. Preferiria mesmo é continuar ostentando sua cabeça sempre tão pensativa sobre as minhas pernas, e perder meus dedos entre os seus cabelos, até que você se entregasse ao sono e me deixasse ver mais uma vez os seus olhos que, quando fechados, transparecem a sensibilidade escondida por trás de tanta resistência a tudo; e nesse momento, por esse simples fato de manter fechadas as pálpebras, confirmaria todas as qualidades que vejo em você apenas te observando dormente, aquelas que eles tentam me colocar em dúvida se você é ou não merecedor de tamanha admiração. Então, quando a chuva começasse a cair e os primeiros pingos fossem desenhados nos vidros da janela que estaria próxima á nós dois, deixaria que meu abraço te aquecesse e te fizesse querer estar ali por todos os dias, confortável e amado. E depois, quando você acordasse do sono que te deu paz por alguns longos minutos, quereria apenas que me retribuísse com um beijo macio todo o amor que lhe tem sido dado há tanto tempo. Ao chegar a hora da despedida, adiaria o máximo que me fosse possível fazê-la. Fingiria um cochilo quando o ponteiro menor do relógio se aproximasse do meu tempo limite junto a ti, mesmo que minha posição para pegar no sono de maneira tão fácil não fosse uma das mais confortáveis, tampouco convencíveis. E por ali eu ficaria: falseando o meu dormir e sentindo sua respiração soprar a ponta de alguns fios dos meus cabelos, até que notassem minha ausência e meu celular vibrasse, porque eu não quereria te incomodar com nenhum barulho, senão o do meu peito palpitando a satisfação do momento. Aí então, não teria mais como evitar a partida. E seria me levantando vagarosamente do sofá que me presenteou com tanta magia em simples gestos, que eu deixaria em você não mais o meu nariz roçando sobre o seu e nem meus olhos que te encararam fixamente sem nenhum descanso. Como lembrança, ficaria contigo nada mais que o meu cheiro e em troca levaria comigo o seu, para que sozinha no trajeto até a minha casa, você pudesse me acompanhar não mais em cinco, mas ao menos em um dos meus sentidos, para que quando nos deitássemos novamente, por vez eu sem seus braços e seu peito me servindo de travesseiro, e você sem esse cobertor ambulante que eu seria sobre seu corpo me negando a desaquecer tanto amor, voltássemos a nos encontrar, porque ainda teríamos um ao outro por toda a noite: agora nos nossos sonhos.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
O que há entre o amor e a esperança
Eu sei lá o que é que você botou em mim; se foi veneno nos meus olhos ou uma mordaça na minha boca ou um sossega-leão dentro do meu coração. Seja lá o que for, quero te dar meus sinceros parabéns por ter sido tão capaz de domar qualquer fração minha sem que fosse necessário da sua parte se preocupar com a mínima resistência do outro lado do campo da batalha: o meu. E funcionou. Sua tática que sempre vi como uma incógnita funcionou de tal maneira que às vezes chega a me irritar por conseguir fazer com que eu seja tão mais você do que eu mesma, quase á todo momento.
Você me cansa, sabe. Sua contradição me enlouquece. Se me falasse de uma vez o que é que se passa nessa sua cabeça tão paradoxal, que sabe ser tão homem maduro quanto às decisões tomadas e tão moleque inconseqüente quanto às atitudes oferecidas, tudo se resolveria. Tão contraditório, busca em mim alguns momentos para fugir da sua – escolhida – realidade? É isso? Por acaso meu nome está aí em uma agenda qualquer largada em cima do seu criado que, mudo, consente tanto egoísmo e que você pega só quando quer dar uma aliviada na tensão dos dias? Acertei agora? Ou então, ainda te resta alguma coisa que eu deixei e que você se nega a aceitar por um motivo que nenhum de nós sabe? Desejo? Prazer? Ou vontade de me provocar para que eu aja e te favoreça, tomando o lugar da louca impulsiva que todos conhecem, enquanto você continua na zona de conforto que sempre foi seu trono, evitando qualquer tipo de culpa que certamente te deveria ser atribuída também? É isso o que mais me convence.
Pois é, dúvidas são os únicos presentes que hoje você me dá, e são daquelas que chegam a confundir e se alastrar ainda mais no peito que já não tem mais para onde se expandir porque você tomou conta do todo. Tudo se discorda, e eu comigo mesma, principalmente. Se antes estava certa do que fazer, agora titubeio por me faltar coragem de por em prática meu egocentrismo porque deixo que mais uma vez entre em campo seu time muito bem estruturado: altura compatível á minha pequenez, sorriso largo e anestésico às minhas dores, mãos compridas e de total segurança.
É de natureza – ou melhor, da astrologia – essa minha eterna indecisão: vermelho ou preto, saia ou shorts, salto alto ou rasteirinha. Te esperar ou de uma vez por todas te abandonar? Permaneço nessa instabilidade esperando que alguma luz apareça exclusivamente para me tirar dessa monotonia de você, mas tá difícil, tá difícil. Sábio que foi, Fernando Pessoa disse uma vez que “tudo o que chega, chega sempre por alguma razão” e sabe que é bem verdade? Junto de você, que quando veio causou um reboliço em uma vida que era toda programada, vi se aproximar, aos poucos, a falta: de mim. E ela deve ter seus motivos para me fazer aceitá-la tão assídua, e eu sei que realmente tem. Mas esse brinquedinho aqui dentro que adora – de segundos em segundos – dar suas batidas para que eu me lembre de quem manda mesmo no pedaço, faz questão de ir contra todas as morais e os bons costumes, os quais eu deveria tratar com extrema prioridade. E o resultado disso tudo você já conhece: eu por aqui; em meio às letras, às analogias, às vírgulas e aos tão esperados pontos finais que são sempre prolongados e metamorfoseiam-se em reticências.
Talvez nossos destinos estejam mesmo apontados para lados opostos. Você com a razão e eu com a emoção, você pensando no futuro e eu vivendo o agora, eu querendo o próximo e você a distância que hoje se resume em basicamente nós. E talvez essa distância me sirva como um antídoto para a loucura que criei, e me faça colocar nos eixos todas as estruturas que de mim você roubou. Porque talvez o conto de fadas que me vi construindo em um tempo de pura idealização, tenha ido embora ao passo que viu chegar o bom senso e as ameaças da realidade. Virei doença, virei vício, quiçá engano. Alguma coisa que hoje, vencida pelo cansaço, me impossibilita de seguir navegando rumo á terra que a cada dia penso menos conhecer, é o que me estimula a partir em busca de novos trajetos. E se essa for mesmo a rota que a mim foi prescrita, que eu a aceite e não mais questione, pois mesmo que tudo pareça correr em sentidos contrários, vale lembrar que se os opostos, de fato se atraem, os caminhos traçados seguirão a mesma regra e, nessa esfera de água, terra, pessoas e tantas turbulências em que vivemos, pela lógica, um dia tudo há de se encontrar e de cara!
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Tudo novo. De novo
É bom, e como é. Só assim eu sei definir isso que pula radiante aqui dentro, pois não há palavras que expliquem o porquê de tanta satisfação. Pega de surpresa como fui, melhor ainda. Ver que restam pedaços de alguma coisa boa que passou, mesmo que com um tamanho quase invisível, é o que revitaliza algum tipo de crença no futuro, alimenta a alma, revigora a pele e abre de volta o sorriso sincero a estampar o rosto.
Junto da primavera que há pouco chegou, floresce nessa estação a maior variedade de pétalas e cores que agora me representam. A paz – do espírito e da mente – por convenção vejo branca e a tranqüilidade recém chegada, traz consigo o azul que acalma. A alegria recebida é laranja, viva e calorosa, e o vermelho fica com todas as outras sensações sabidas por todos que passam por mim e reparam em meus olhos que distribuem brilho a quem quiser enxergar.
Tem sido assim nesses últimos dias e rogo para que permaneça por um tempo indeterminado. Aos poucos, que é para não cansar, tampouco enjoar. Contendo a ansiedade, vou nessa de controlar meus próprios pensamentos para não me perder mais uma vez em um labirinto já conhecido de nome e vivência. E é difícil, pois quando se tem o menor conhecimento que seja, daquilo que se passa do outro lado, aumenta a sede de querer saber sempre mais: o que foi do final de semana e o que será da próxima já exaustiva devido a época do ano, o que tem pensado sobre os assuntos que são rotina nas bocas alheias, e sobre aqueles nem tão expostos assim, os quais verdadeiramente me interessam.
Se me lembro do princípio, hoje vejo que progredi. Espero que não apenas devido à distância, mas também pela ajuda do reconhecimento e da aceitação que tiveram de descer a seco pela garganta que tantas vezes gritou por um único motivo. É da minha natureza esse jeito meio perdido de ser quando o assunto em questão tem tanta relevância, tal qual o que me refiro. Acertar e agradar são os únicos verbos que passam a existir em meus atos que, nesse tormento louco de querer sempre o melhor, se perdem e acabam tropeçando na correria que busca presentear alguém com a tão sonhada perfeição, mesmo sabendo que independente do esforço ou dedicação para com aquilo ou aquele que mais quero, ela em tempo algum existiu e nem está por vir.
Vontades a parte, o importante é ter outra vez esse estado de bandeira branca erguida, trégua declarada. Vale reconhecer que por mais desajeitado que seja um aparente recomeço depois de um caminho turbulento e traumático, ele está de volta, e merece ser recebido e celebrado com brinde em taças de champagne, como bem fazemos na virada de todos os anos, que é para mais uma vez encher o coração de esperança, reabastecendo esse motor que pela estrada percorrida, nunca teve destino certo: a vida.
E por falar em vida, ela ensina sim, e cobra o aprendizado das lições dadas também. Prova disso é a resistência exigida contra tudo o que menos se quer abster: o tato, a entrega; porque é preciso colocar em prática a outra face dessa grandiosidade sentida, se a vontade agora é de ser vista com outros olhos e outros valores. Tudo começa a partir daí, hoje eu sei. Sendo assim, uma porção de amor próprio e uma dose de respeito, por favor. E para acompanhar, trevos de quatro folhas, água benta, simpatias e o que mais puder fazer a sorte se sentir acolhida e motivada a lutar pela minha causa. Confio, e por isso espero no mesmo ritmo de sempre. Calma, calma!
sábado, 8 de outubro de 2011
Ao amor, a cicatriz
Vem a chuva fina e fria, e com ela as lembranças. Boas ou ruins, são sempre companheiras inseparáveis das gotas que agora caem silenciosamente no chão, mas não na janela próxima a mim, e me fazem lembrar de outros momentos também cinzentos, entretanto, sem sinal algum da melancolia que hoje, aqui escrevendo, vivo enquanto retrato o que já se foi.
Pelo aroma que ela traz, me aproximo de uma realidade já inexistente. Na falta dos outros quatro, o único sentido que me resta é sentir o cheiro similar àquela garoa que caía também nas venezianas do quarto no qual dormíamos. E era tão surreal que nunca me incomodava; pelo contrário, quando gotejava e a partir daí, começava a chegar com mais freqüência, eu apenas comemorava, pois assim tinha seus dedos por entre meus cabelos por mais tempo naquele ócio confortável de deitar e esperar o tempo passar sem ter que pensar em mais nada, senão na possibilidade de você sentir frio e eu então te abraçar para que isso logo pudesse passar.
Quando não queríamos nos esconder, era embaixo dela mesma que eu mostrava toda a felicidade que vivia provisoriamente. Os beijos que te dava e com tanta simetria recebia de volta, independente do que houvesse por trás dessa troca (aparentemente) afetiva, eram ainda melhores quando acompanhados da pureza da água que naquele momento lavava qualquer má sorte moradora do meu corpo e também da mente. Abraçada a você, nosso calor era mais forte do que os ventos que tentavam me amedrontar. Prova disso era sempre que trovejava e as luzes se apagavam. Você se mostrava ali, presente e apto a me proteger e me mostrar que tudo estava bem quando notava meu susto sinalizado por um apertão no seu braço, ou então por um leve e breve pulo daqueles que só nossos reflexos sempre ativos sabem como agir. Era exatamente nesse tipo de atitude que se vista por cima, parece tão insignificante, que eu logo percebia que não estava só: você me abraçava no mesmo instante em que eu queria me mostrar resistente.
E quando a chuva cessava dando lugar aos raios do sol ainda tímidos após a dominância das infindáveis gotículas, nós também estávamos ali. Você com os meus óculos de sol, não me fez pensar como seriam os dias após o fim dessa temporada de aventuras que eu jamais imaginara viver em um futuro tão próximo para a época. Não sem aquele olhar sério e quase fechado que fazia franzir a testa; típico de quem se incomoda com a claridade assim que acorda, para depois, acostumado com a idéia de viver o dia, lançar o mesmo sorriso matinal que é só seu e por certo tempo me acordou mais feliz.
Com essa rotina mais do que graciosa para quem nunca tinha vivido com alguém de maneira tão intrínseca, eu me acostumei, e ainda hoje, depois de tantas mudanças e reviravoltas nessa história que um dia já foi tão terna, comigo ela ainda convive. Assim como a chuva que por quase todos os dias se mostrou presente em nossos momentos, e também agora enquanto os relato, tudo já passou. Foi-se com ela cada gota caída do céu e que hoje são minhas lágrimas.
Choro sim e também lamento a falta de conexão entre tudo que poderia ter nos unido, mas pelo contrário, acabou nos afastando de tal forma que eu (não) aceito viver. No final das contas não deu, não era para ser comigo, e eu também não sei como seria caso tudo tivesse acontecido diferente. Declarações públicas de amor e delicadeza aliada ao pudor em certos assuntos, realmente não são e nunca foram com a nossa cara. A liberdade que sempre tivemos em nos envolver com outras pessoas já que nunca fomos ‘oficiais’, não encaixaria em um novo tipo de relacionamento mais restrito e de certa forma até mais respeitoso que nos déssemos.
Acredito, então, que a solução seja deixar: o tempo passar e a vida acontecer. Cada um no seu canto, no seu ritmo e com as prioridades julgadas relevantes tanto na forma de pensar quanto na de sentir. Por mais clichê que pareça, aquele papo de “o que tiver que ser, será” é a maneira mais correta de se enxergar as peças que o destino nos prega. Afinal, se não fosse assim, dificilmente teríamos passado por tudo que já passamos. Conversas, beijos, sorrisos, pedidos de desculpas, arrepios, toques, olhares e tantas outras intenções subentendidas sempre ocasionais, mas por mim, também emocionais. Tudo foi embora e num paradoxo também ficou. Dessa marca, não tenho como me livrar e se é assim, hoje, cicatrizo-te.
domingo, 25 de setembro de 2011
Com surpresa, supre sua presa
Melhor assim. Você finge que me adora e que não vê companhia melhor do que eu para não fechar a noite no zero a zero, enquanto eu finjo que acredito nas suas palavras que me colocam no mais alto dos pedestais (mas que na realidade têm o único intuito de me convencer que não tenho motivos para te negar) e que não há mulher na face da Terra que preferiria não ouvi-las. Negócio fechado! Conveniência aos dois. Até porque, seria o ápice da auto-confiança querer que eu ainda cresse piamente no seu papo politicamente correto e me deixasse engabelar outra vez por sua voz mais do que sedutora. E não é o que acontece. Quer dizer, é, mas não na proporção que, você, graduado e doutor na arte da conquista, pode um dia ter pensado conseguido já que caiu na própria armadilha – deu os passos maiores do que as próprias pernas e nessa tentativa equilibrista de ser, pôs abaixo o circo que me apresentou. Ou não, não sei bem o que pensar, mas talvez – e eu até acredito que realmente – tudo tenha sido de caso pensado, entretanto, admiravelmente, eu soube domar os meus anseios e devolver a importância recebida em igual quantia e valor.
Burra eu não sou. Jamais deixaria então, que escapasse por entre meus dedos sua pele e seus cabelos áureos que – quando queremos – combinam tão bem com os meus que não têm uma cor ao certo definida. Toda vez que aparece inesperadamente e toma o lugar de tudo que durante sua vontade de estar foragido fora exterminado da minha cabeça, faz com que cada momento volte como um flash ou qualquer coisa de velocidade equivalente e me domina com destreza; fica em um segundo plano, então, todas as ocasiões, sugestões e oportunidades que me aguardariam caso eu te deixasse para depois. Mas não, você é preferência. E sabe de uma coisa? Eu não me importo. Nem com o seu sumiço sempre tão aparente e nem com o seu discurso exatamente no meu ponto fraco – entre a lateral do pescoço e o pé do ouvido – que, enlouquecedor, certamente é decorado silabicamente para, quem sabe, mais tarde ser recitado de novo a uma próxima vítima logo depois que nos aproximarmos do portão da minha casa e eu abrir a porta do seu carro com um pesar que tento fazer invisível, tentando me mostrar apática diante dos seus olhos que não me deixam ir embora sem antes fitar cada centímetro das minhas pernas à mostra na saia preta que tanto gosto.
Apesar desse seu jeito malandro, gosto de você, mas não a ponto de apaixonada, deixar tudo para trás e viver em função do mistério que te mantém de pé. Gosto é dessa espécie de interrogação que vejo exposta nos seus dizeres, nas atitudes e expressões, e da incerteza que nos ronda, tornando inesperados, e talvez por isso, sempre marcantes os nossos encontros toda vida casuais. Me confunde quando menos espero. A pessoa que me faz sentir a escolhida para representar toda felicidade que esse mundo já viu, esvai-se e deixa apenas em minha cabeça um verdadeiro interrogatório que busca o porquê de tanta contradição. Não era preciso nada do que foi me mostrado, se a intenção final era apenas momentânea. Rio então, da sua tolice e desse tipo de atitude que apenas me faz te ver vazio, infelizmente.
Ainda assim, como de costume na minha personalidade passiva, deixo pra lá todos os incômodos que me cutucam para que eu faça algo e ponha de uma vez por todas os pingos nos is. Fico com o confortável, e no banco do passageiro, lá pelas quatro ou cinco da manhã, assisto os seus olhos encarando os meus com um sorriso leve e intencionado no canto da boca que masca um chiclete de melancia – me fazendo gostar do sabor que até então pra mim nada mais era do que exótico e desconhecido – enquanto seus dedos deslizam até o botão do vidro elétrico que os fecha, e nesse movimento, me mostram sua tatuagem no braço que por mim é tão elogiada e que exibe sua fé, sua crença em alguém de força maior do que seu próprio ego sempre tão bem massageado.
Simultaneamente aos vidros que sobem, o mesmo acontece com os meus pensamentos a essa altura já mirabolantes, que devaneiam em um plano nada terrestre, momentos de sentimentos mistos a partir dali. E assim vamos até que a euforia passe e voltem a contracenar os pensamentos agora centralizados, as ambas opiniões sobre qualquer assunto como seu trabalho, por exemplo, que você julga tão cansativo e cuja tensão do mesmo eu tento amenizar quando estamos juntos, até que o ciclo todo recomece em um dia que eu não sei quando e se virá. Me preparo então para mais uma vez me despedir de você – da maneira como descrevi – e dessa constante eventualidade que vivemos, com um lema em mente que exprime algo do tipo ‘sempre, mas agora pela última vez’.
domingo, 14 de agosto de 2011
"... Mas chegou ao fim"
Olha, eu prometi pra mim mesma que não iria mais escrever qualquer palavra sobre você, mas é isso o que melhor sei fazer sempre que me encontro tão tangível, bem como tenho estado hoje. Não tenho mais o que falar e ainda assim escrevo, apago e reescrevo, buscando nas linhas de cada folha, a cada nova palavra, uma tentativa, um meio de colocar pra fora tudo isso que me consome e então tentar te expulsar de dentro de mim como quem joga fora tudo o que já não é mais útil para si – contas pagas, roupas velhas, amores irreversíveis. Mas não consigo e não há adjetivos, comparações ou metamorfoses que exprimam e entendam o que se passa nesse caminho tão estreito e seletivo no qual meu coração se transformou e que é o lugar em que você vem bravamente se encaixando com total liderança há tempos.
Começo te pedindo desculpas caso você se sinta exposto quando te descrevo. Tudo o que eu não quero é que você se incomode com qualquer lembrança que em mim é mantida viva e, ainda que camuflada nas turbulências do dia a dia algumas vezes, destacam-se imediatamente quando te vejo. É assim mesmo, sem exageros ou hipérboles: os segundos que tenho ao seu lado, mesmo que não mais a sós, são suficientes pra me deixar perdida em meio a caminhos que antes eu poderia traçar de olhos vendados. Ainda sinto uma sensação mista de frio e calor quando você chega. Meu estômago se comprime, a boca seca, as mãos transpiram, as pernas tremem e o coração quase salta sobre suas mãos pedindo por socorro, como uma vítima de alguma tragédia que perde tudo o que tem, pois assim estou: perdida e desabrigada de ti.
Já me tornei repetitiva e disso eu tenho consciência, entretanto é desesperador ter que abraçar o travesseiro, (já encharcado de lágrimas) como consolo, por eu não poder te envolver em mim e sentir que meus braços não se encontram quando te abraço porque você é maior que eu. E dói. Dói como nenhuma outra dor. Dói mais do que um arranhão, um corte, ou alguma parte do corpo que é quebrada. Dói porque não tem comprimido nem homeopatia que cure a saudade. Dói e dá vontade de abrir o peito, partir pra ignorância, te devolver o que é só seu e dizer “toma, agora se vira e vê se cuida direito, hein?!”
Já não há mais espaço pra mim, nem mesmo físico porque nos incomodamos com a presença um do outro e isso está escancarado na cara de tacho que fazemos quando nos vemos, ou melhor, quando não nos vemos, porque falta nexo até para uma troca de olhares, fracionária nos segundos, que seja, que não deixa disfarçar a inconveniência e a falta de suporte de um ambiente para dois corpos conturbados e carregados, mas talvez até seja melhor assim, pois te estranho, quando passa por mim, vejo que é só mais uma pessoa pra cumprimentar – quando estou em público – e, agora, mais raro do que nossas trombadas num bar ou na casa de um amigo, é a falta de um elo que não sei qual é, mas que já nos ligou.
Não peço mais que você volte, e sim que vá. Siga sua sina, abrace sua sorte e viva seu caminho da melhor forma que puder. Tenho a plena confiança de que será feliz da forma que quiser, e esta felicidade certamente será fruto de todos os seus princípios que são fonte da minha berrante admiração. Enquanto isso eu te assisto aqui do outro lado com o carinho de quem aprendeu, caiu e hoje tenta se reerguer do tombo de quem a derrubou com aparentes boas intenções.
Ignore qualquer prova – óbvia, inesperada ou incompreensível – do meu amor se você quiser e me ignore também, mas respeite e não julgue. Não o sentimento, mas qualquer atitude que possa ser conseqüência dele e pela última vez, acredite, ele existe!
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Nostálgica
Sinto o cheiro da sala e o barulho da televisão que noticia o cotidiano do estado vizinho. Mais alguns passos e me deparo com o espelho que por tantas vezes me viu arrumar os cabelos e amarrar a canga na cintura e, quando me viro de costas, involuntariamente, espero te ver deitado na cama que um dia eu chamei de “nossa”.
Reviver cada momento da etapa que certamente dividiu a minha vida em antes e depois de você, não foi nada fácil por um simples e estrondoso motivo: sua ausência. Digo simples porque não tenho mais justificativa alguma para a minha decadência repentina de humor enquanto me desloco da varanda em direção à piscina, a não ser a falta do seu peito sem camisa, ou seus pés à minha vista calçando chinelos de dedo. Estrondosa, pois mesmo estando tão longe, minha cabeça puxava como um ímã o timbre da sua voz que agora me tortura por não mais tê-la mesmo que fosse para ouvir seu tom nas brincadeiras, que era quase sempre agressivo, rude e sem um pingo de doçura.
Volto no tempo em meu mundo criado a partir de você e me isolo no conforto que as memórias suavemente infernais me trazem e que eu me lembro como se estivessem acontecendo hoje, já que diariamente – e sozinha – me recordo dessa espécie de paraíso que você me deu. Ver seus olhos descansados e poder te fazer relaxar, massagear suas costas e, acariciar seus cabelos mostrava a forma mais sensível com a qual eu retribuía os seus cuidados com a minha distração e tão notável inexperiência. Acordar imóvel por seus braços, era a maneira mais linda de começar o dia que já havia dado os cumprimentos há horas, mas, deixa o relógio despertar, o sol se pôr e a lua cair; não tinha com o que me preocupar se minha única preocupação estava ao meu lado, visivelmente em paz e se incomodava apenas com a luz do sol que naquele momento invadia o quarto pela fresta da janela sem nos pedir permissão.
Conheço de você uma pessoa que tira todas as palavras que meu vocabulário conhece só para me deixar sempre assim, a mercê de seus pensamentos e interesses, mesmo que os meus fossem (e sempre eram) tão contrários aos que me dominavam a cada vez que você abria a boca e cogitava mostrar o sorriso que já me fez e, indiscutivelmente, ainda me faria perder a cabeça com tanta maestria. Seu jeito sempre disposto a ajudar nos serviços braçais, de força e coragem me provam a sua masculinidade quando não se mostra ser só mais um bruta-monte preocupado com os músculos e a fila de menininhas que ainda tem pra pegar e, confirma isso tendo opinião em todos os assuntos que debate, seja para falar da cerveja na sexta, do jogo de futebol no domingo, do vestibular na segunda, ou do trabalho de daqui a alguns anos, sempre com total domínio sobre o que discursa.
Te vejo homem, ainda que discordem de mim, e é essa a imagem que fica apesar de todos os martírios que passei enquanto lutava desesperadamente por você, sendo que na maioria das vezes, estava sem qualquer tipo de instrução que me guiasse para o caminho certo até seu coração. Compreendo que me precipitei, me perdi, buscava tanto por um erro seu que me pusesse em vantagem na nossa história, que acabava sempre por derrubar um balde de água fria em qualquer pedacinho que pudesse colar essa peça de porcelana – tamanha delicadeza da nossa situação – que um dia fomos, ao te ver jogando na minha cara sua compreensão tão clara e objetiva de tudo que eu nunca consegui entender: seus pensamentos.
Sim, no passado, fomos. Não mais presente, quem sabe, futuro. Te espero hoje assim como ontem, mas não como antes e, mesmo se não voltar, terá sempre seu espaço reservado em meu coração, que hoje está em paz, consciente e conformado da calamidade que não pôde ser evitada. Deixo as águas correrem, os anos passarem, as idéias amadurecerem, e os verdadeiros sentimentos aflorarem, pois sei que de alguma forma, representei algo para você. Só te peço que não duvide. Mesmo que não acredite, jamais ouse duvidar de cada palavra que eu tive a coragem de te dizer nos meus momentos mais fracos, quando eu deixei de lado todo e qualquer orgulho que ainda me restasse para te mostrar da maneira mais sincera que o que eu digo, é o que sinto, ainda que em solidão, e sem nenhum motivo que me estimule a seguir adiante nesse oceano que me encorajei em navegar, do qual você mal conhece uma gota, mas que persisto com algum intuito que só o tempo poderá me fazer descobrir qual é.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Deponho a saudade
Escrevo, pois tenho a sensação de que essa é a única maneira de me colocar mais perto de você e de tudo aquilo que por um dia eu tive como eternidade, mas que se foi tão rápido como quando veio, e hoje é o que peço desesperadamente que volte para me fazer sentir outra vez as mínimas sensações, próprias de cada encontro que era tão similar a todos os anteriores, mas ao mesmo tempo tão únicos como se estivéssemos vivendo cada detalhe um do outro pela primeira vez. Sua experiência me acalmava na calada da noite e me dava a certeza de que presa em seus braços eu estaria protegida de qualquer maldade que pudesse me cercar. Com o tempo, vendo como decorreu nosso envolvimento, mesmo sabendo da superficialidade com a qual você enchia a boca para me fazer acreditar nas suas promessas válidas por não mais que uma madrugada, queria me convencer de que o que eu vivia ao seu lado se tornaria – aos poucos – amor.
Há algo de misterioso em você que não consigo desvendar e é essa incógnita que me deixa cair na rotina sempre imprevisível dos seus beijos e seus amassos. Talvez o brilho da sua barba loira que quando crescida faz arrepiar cada poro da minha pele só por nela encostar, tenha se aliado aos seus olhos de gato, dominadores de cada milímetro do meu corpo que a esta altura, desnudo, só pede pelo seu e, em conjunto, armaram um plano contra minha espontaneidade na sua presença e tiveram como resultado a inércia que sou ao seu lado. É ridiculamente assim que me sinto toda vez que me aproximo do jato de sedução que vejo em você: anestesiada. Não sei pensar por mim e tropeço nas palavras em cada tentativa de dizer algo que eu, quando sozinha, me encorajo em dizer, mas sempre que meu discurso te encontra, se choca e, se dissolve na submissão com a qual te encaro e não hesito em mostrar para quem quiser enxergar.
Não gosto de te ver assim, longe, enquanto eu fico na obrigatoriedade de me ater do outro lado da rua, da cidade, da vida – no qual você não está – como prova de resistência, amor próprio, e tentando te mostrar que “Tá vendo?! Eu sei sobreviver sem você.”, enquanto na verdade, estou de fato perdida em meus pensamentos e nas mil possibilidades que minha cabeça confusa e sem respostas insiste em me enlouquecer a cada nova suposição. Uma mulher diferente, mais uma festa, outro corpo e mais um copo, as mãos por entre outros fios longos, lisos ou ondulados, loiros ou castanhos, novos objetivos e mudança de interesses. Por onde anda você nessas estradas cidade à fora, nesses caminhos que me distanciam cada vez mais da volta da minha felicidade, momentânea, mas intensa e sincera? Deixo que o destino cumpra o papel de me responder todas as dúvidas que você me traz e tento, na calmaria que sempre me acompanha, manter meus passos estáveis frente à você que nunca é.
Se estou apaixonada? NÃO. E nego quantas vezes me perguntarem e concluírem por si só mesmo diante da minha resposta contrária ao que se vê. Não posso, não devo, não é o melhor pra mim. No kit que você me traria caso isso acontecesse, ganharia apenas a saudade em um fluxo cada vez maior, a falta de reciprocidade nas demonstrações afetivas que me deixariam incrédula da sua felicidade, e uma constante falação repetindo que homem bonito só sabe dar dor de cabeça e, eu assistindo o jogo todo de camarote, teria de confirmar. Ah, e é claro que jamais deixaria de citar que quando a sorte se virasse contra mim, o primeiro sinal de que eu deveria ao máximo ter evitado que qualquer transtorno amoroso se alastrasse em meu coração seria o ‘belo’ presente com o qual você enfeitaria minha cabeça. Por essas e outras, prefiro dizer que o que sinto é saudade, assim, descompromissada, conveniente, carnal – que me faz querer te devorar e te infiltrar por inteiro, e te marcar no meu pescoço, e me marcar nas suas costas – racional e periódica, que quando se vai é quando você vem, e me acalma, e me afaga, e me satisfaz, e me preenche, e me entontece, e que quando vem, é quando você se vai, e me dilacera, e me contesta, e me aflige, e me enraivece, e me entristece, deixando sempre essa angústia sedenta, essa vontade de flash-back, fazendo com que eu permaneça assim como tenho estado em momentos parecidos com... agora!
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Amar X Desejar
Já não bastasse os inúmeros empecilhos com os quais convivo diariamente para me manter estática frente às infindáveis recordações que tenho em mente sobre meu primeiro grande amor, assisto a chegada de outro guerrilheiro na pacatez em que minha vida se encontra e vejo que o conflito será duradouro.
De um lado, aquilo que eu construí de mais belo e maduro. Meu eterno exemplo de determinação, boas condutas e merecedor da minha plena admiração nos mais diversos aspectos. Mesmo que conhecido de longas datas, foi inesperadamente que passou a ter tamanha relevância em tudo o que hoje julgo necessário em meu cotidiano e ao anoitecer, em meu subconsciente, sempre que protagoniza meus sonhos, me fazendo amá-lo a cada dia com mais fervor. Do outro, alguém comparável a um furacão ou algum outro fenômeno natural equivalente, notado em qualquer esquina que venha a cruzar devido à sua beleza não menos que exuberante. Deste, mal pude conhecer os (bons) valores. Por falta de tempo ou interesse, o que ficou foi a pressa da carne em mostrar quem liderava aquele jogo. Sem mais delongas, apenas prazer. A conversa?! Ah, esta fica para depois, em um próximo encontro que quando chega, é tomado por pura luxúria e deixa qualquer mísero diálogo para segundo plano mais uma vez, e eu ainda assim o desejo, mesmo consciente do meu pecado, desejo! Estou entre os gladiadores que mal sabem de suas inegáveis participações em mim. Permaneço de mãos atadas sem saber para que lado partir, apenas acompanhando a maré que meu corpo e meu coração por hora ordenam.
Tal diferença de sentimentos que eles me despertam me indaga. É possível que alguém ame uma pessoa e sinta um desejo arrebatador por outra? Estaria eu traindo o sentimento por quem tenho tanta fidelidade? Ou então abusando de alguém toda vez que quero sua pele e suas formas? A partir da minha constante reflexão, sou tomada pela culpa, pela dúvida e pelas incertezas que só aumentam minha aflição diante da falta de uma resposta exata para este tipo de distúrbio emocional.
Quanto à armadura, ambos desfrutam de igual proteção. O sorriso paradoxal que me busca do céu e me leva ao inferno é neutralizado por um novo olhar, fixo e fuzilador. Os cabelos quase loiros se contrastam com o outro que é preto. A barba que às vezes é falha em X, mostra-se com total freqüência em Y. O corpo de músculos desenhados e curvas atraentes duela com uma cabeça surpreendentemente sábia. O estilo alternativo de um em contrapartida com o conservadorismo do outro. E mais uma vez eu, entre amar e desejar.
Um minuto a mais pensando na pergunta que desencadeou todo esse transtorno e a resposta vem à tona: Não! Não estou errada! Não vou ser guilhotinada em praça pública porque me vi maior do que sobras de carinho aliadas em pena! Não mereço viver a vida de quem já se completou amorosamente! Não devo satisfações a quem me procura quando já não vê mais nada conveniente a si próprio às cinco da manhã! Não sou culpada por apenas querer o corpo de quem faz o mesmo comigo! Não tenho que viver como se estivesse segurando uma senha, aguardando que chamassem pelo meu nome! E por fim, não! Não estou revoltada, apenas desacreditada; das possibilidades, das oportunidades e também das pessoas e de suas (boas) intenções.
Ainda que caindo como um bebê que aprende a trocar os passos, vou dando minha cara à tapa e descobrindo o mundo e os seres que me cercam; e quem se encarregou de fincar essa desconfiança em mim, foram os próprios inquilinos que hoje são meus credores – morais e emocionais. Eu, que quase sempre tenho a inocência de acreditar na palavra das pessoas, venho acordando forçadamente de dois sonhos lindos que por falta de reciprocidade deixaram de acontecer. Em uma das circunstâncias, não pude mostrar o quanto é rico o que possuo e como poderia retribuir todos os aprendizados que me foram oferecidos. Já na outra, ainda há a possibilidade de eu encontrar algo que perdure mesmo não sabendo quais os prós e contras dessa aventura. O que me resta é abstrair qualquer tipo de esperança que se faz valer em mim para que então eu deixe de viver sozinha o que sempre me vendem em conjunto – de amores, idealizações e no mais tardar desilusões.
domingo, 12 de junho de 2011
(Re)conhecendo-o
Profissional na arte da lábia e da boa conquista, ele começa a preparar seu território outra vez depois de ter recuado repentinamente. É indispensável fazer o jogo do bom moço; elogiar e dizer que sente saudades para que passe longe dos meus pensamentos embaraçados que qualquer tipo de atitude digna de um cafajeste nato possa vir de sua parte. Dito e feito!
Eu logo de cara acreditei em uma maturidade de afetos que me foi vendida. No pacote promocional, um jogo de belas palavras e aparentes boas intenções pelo preço da minha talvez impagável paz de espírito e do bem estar do meu ego. Tarde demais! O produto era pirata, e nota de garantia eu não tinha. Saldo final: uma dívida não paga, sozinha.
Ainda assim eu não me proibi. Mesmo que com a cabeça mais centrada do que no princípio, atendi às chamadas durante a madrugada e deixei que ele me puxasse de volta para seu redor.
O celular toca enquanto o dia amanhece lá fora. Em uma hora tão improvável, e sem nenhuma esperança de sua presença, fico surpresa ao saber que a noite ainda não tenha acabado. Espero então, de maneira ansiosa para ter em mãos aquele homem que me faz perder as palavras quando tento defini-lo. Talvez ele nem seja merecedor desse pedestal que venho construindo a cada novo encontro, já que insiste em fazer do que poderia ser belo, nada mais do que superficial, entretanto seu poder de atração me vence e eu o recompenso como posso.
Quando ele chega, meus passos – trêmulos e apressados – se aproximam gradativamente daquilo que para mim é o paraíso, o ápice da boa sorte. Ao entrar no carro, um beijo breve saúda minha boca e então uma sensação de ternura toma conta de mim. O perigo acena em minha direção, insinuando que qualquer excesso afetuoso pode devastar este motor pelo qual estou ali: meu coração; porém, a esta altura só tenho olhos para a sedução que é atirada em mim com tanta intensidade.
Ao mesmo tempo em que dirige, me pergunta como estou e com quem eu estava, me fazendo acreditar que ele até possa se preocupar comigo, e eu, estonteada por sua voz grave, abdico de qualquer resquício racional para me entregar de vez à tentação.
Paro e admiro incansavelmente essa espécie de escultura-natural-humana que se põe em minha frente. Cada minúcia é única e me satisfaz inteiramente mesmo que sem nenhuma razão... apenas me agrada. A corrente prata envolta no pescoço, a autenticidade nas roupas que veste, e até o poder de persuasão – quando me faz ouvir músicas que por anos condenei e dizia não gostar – mesmo que sem o seu conhecimento sobre tal. E depois me dilacera por ser assim, pássaro, águia que enxerga longe, além dos limites da cidade e é livre de qualquer outro ser local que queira sua presença, tem seu próprio caminho e nele anda como bem entende, enquanto eu, presa na minha menoridade tento me confortar com as vezes em que ele aparece sem aviso prévio já sabendo que estou pronta para recebê-lo sem questionar sua ausência que é sempre presente, sem ter a preocupação de ouvir cobranças que mesmo necessárias me falta coragem para fazer, sem qualquer compromisso em ter que ligar no dia seguinte para ouvir como eu estou e o que tenho pensado em relação a nós – plural que talvez seja inexistente em sua cabeça tão egocêntrica.
Por todas as razões claras que tem me mostrado e que eu ingenuamente fazia questão de não acreditar, presumo hoje que o príncipe encantado não exista, quiçá existiu. Anda em um sentido contrário ao que me mostrou quando em sua primeira tentativa de me ter não hesitou em exibir, vangloriando-se de sua conduta em relação a relacionamentos e me convencendo de que tudo o que passei, o bom samaritano estaria disposto a me dar de maneira diferente e correta. Caiu em contradição e perdeu-se em suas próprias palavras, ou então, perdi-me em suas mentiras gritantes onde transborda apenas interesse. Não sei, e jamais saberei o que realmente aconteceu, mas como diria Caio, “Que seja doce!” e assim foi!
domingo, 5 de junho de 2011
Avassalador
Um sábado como outro qualquer e, ao anoitecer os preparativos começam.
Acabo o banho e então a decisão feminina mais conflituosa faz-se presente: “Com que roupa eu vou?” Abro o guarda-roupas que quase faz as roupas saltarem em mim; entretanto, diante dos meus olhos elas parecem brincar de pique–esconde. Já é de praxe o drama da alma feminina: ver-se nua mesmo quando colocadas cara a cara com um verdadeiro mar de tecidos.
Recebo então a primeira ligação da noite. As amigas dizem que estão chegando. Pronto, o clã está formado! Pega o secador, liga a chapinha, aponta o lápis, testa a sombra, prepara a pele, coloca o salto, borrifa o perfume, confere os documentos, e para finalizar, o personagem principal da noite: o batom... vermelho!
Acaba a festa, primeira etapa concluída. Noite de mulheres apenas, mas o paradeiro continua. “Para onde vamos?” Bom, seria mesmo só calcinhas até que a lua se pusesse, se não fosse o amigo, um em especial e sem dúvidas, o mais querido de todas, e com ele, o prêmio da noite – o primo – e eu, a premiada.
Famoso entre as bocas femininas, nome conhecido, corpo cobiçado. Não duvido do possível recalque de alguns barbados até, já que o sucesso do Don Juan acaba por assustá-los vez em quando. Seguramente , afirmo que nove entre dez meninas não o deixaria passar despercebido ao flagrá-lo caminhando pela rua e nem mesmo dentro do carro preto que dirige. Os olhos são castanhos, cor de mel, doce como os beijos com os quais viria a me presentear. A pele dourada, lisa, se tonaliza em completa sintonia com os cabelos baixos e com a barba que nasce de mesma cor e que, de fato, me remetem ao pecado, além de serem um cônjuge perfeito da boca de lábios quentes que arrematam o desejo de tê-lo ao menos uma vez, já que este não faz o tipo que se ajoelha diante de sua musa e pede por amor eterno.
Surpreendo-me então por perceber, aos poucos, que naquele dia a noite me escolheu e, o Todo Poderoso também. Galanteador da maneira que é, afirma o que diz, é confiante em si. Tem um jeito peculiar que domina qualquer Vênus e não mede as dosagens de seu charme ao jogá-lo sobre suas presas. Ganha no jeito de andar, na postura, nas poses enquanto passa a mão pela nuca, e no olhar devorador com o qual fitava minha boca de lábios escarlates.
A união perfeita de todos os fatores – internos e externos – conhecidos até então, me puseram boquiaberta pelo príncipe. Há uma música que diz “é exatamente quando a gente está cansado, que o coração distrai e então, a sorte vem”. Vejo-me refletida nesses versos. Não sei se por sorte, ou por merecimento depois de dois longos anos presa em uma armadilha que ajudei a construir, mas o fato era exclusivamente um: ele estava ali, para mim. Em uma série de flertes, olhares intencionados em meio a uma conversa em uma roda de amigos, o gato sorrateiramente me surpreende com um abraço e eu, agora mais do que envolvida na situação, me rendo a alguém que jamais havia me interessado antes.
Talvez eu fosse até o momento, a única entre as dez meninas citadas anteriormente andando na contramão, mesmo já tendo sido cortejada pelo mesmo um mês antes, em outra ocasião, na casa onde ele era o anfitrião. Sigo agora no mesmo trajeto de muitas quando não mais me esquivo e então cedo-me. O batom que por ele foi tantas vezes elogiado, em minutos fora exterminado da minha boca com os beijos simbióticos, intensos, e de perfeito encaixe que vieram a seguir e deram um desfecho irrevogável ao episódio aqui descrito.
Abri-me então para novos caminhos e comecei a enxergar a vida além de um coração partido que esperava incansavelmente por um retorno do que nunca foi inteiro, e sempre um “quase”. Quase amor, quase compromisso, quase sentimento, quase correspondida, QUASE FELIZ. Ponho a venda tudo o que me retrocede. Quero agora a aventura de não saber do amanhã para então conhecer tudo que a vida me reserva. Livre, leve e solta!
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Encanta a dor
Em mais uma noite, é em frente a um papel que eu me encontro, na tentativa de dividir com alguém essa dor que transborda em meu peito, alma, cabeça, corpo e coração. É, eu sei que essa é uma maneira meio fracassada de resolver tal estrago, já que o único expectador desse drama nem um pouco ficcional é o próprio escritor, enquanto quem deveria ter conhecimento da obra, é o ator principal - o protagonista de uma eloquência de sentimentos.
Flagro-me pensando em como tudo começou e, hoje, depois de um ano, como tudo mudou; e o que me pergunto é: POR QUÊ? Por mim, talvez. Por não pensar e então em questão de um ou dois minutos ter traçado um roteiro tão contrário ao que estava pré-destinado. Por ele, também. Por que não? Por ter sido egoísta o bastante a ponto de me ter por conveniência. Não me importa o motivo; ele não é maior que meu coração que tem passagem secreta para um sorriso fuzilador, um jeito másculo que extermina qualquer cogitação de resistência física ou emocional quando se une a pensamentos adultos que só deixam crescer e entender o porquê de tanta admiração.
Sempre me mantive estável diante dos olhos que me envenenam, buscando um querer de quem tanto me consome, sendo este o de saudade - sentimento que faz pensar, refletir, lembrar e então agir, e a partir desta ação, fazer com que ele pudesse querer estar comigo de novo. É esta minha única salvação: a presença de quem me faz tão ausente em si. E por que então desejar quem me despreza? Vem aqui então uma série de piadas para quem desconhece a paixão! Eu o quero pela maneira do andar, pelo olhar de pessoa séria enquanto conversa sobre o futuro e as profissões. Quero a barba por fazer que me deixa arrepiada ao roçar sobre meu corpo, quero a sensibilidade escondida que vejo aflorada quando tem os olhos fechados ao ser acariciado. Quero as mãos tão expressivas, masculinas, quero a maturidade, a infantilidade e a brutalidade que vaza pelos dedos que tocam com tanto domínio cada fio do meu cabelo. Quero o mínimo que se ao meu lado, por ser essencial, se tornará o máximo. Conversa de louco?! Vai entender, não?! Prazer, AMOR!
Sim, amor! Não há mais espaço para a paixão onde o que há de mais terno tomou posse. Não há mais lugar para sintomas infinitamente instantâneos, cobertos por dizeres amorosos que se desmentem após uma mágoa guardada. Essa fase se foi, esse terremoto psicológico e emocional que é a paixão e, o que ficou foi a calmaria, como a de uma manhã em uma praia deserta que vence uma noite de tempestade, onde o que se vê são as folhas dos coqueiros que se embalam em uma dança ditada pelos ventos, e o calor do sol que volta a brilhar, traz à tona a razão para que tudo permaneça: a luz, que é você!
Agora sim me sinto no direito de dizer que amo no sentido mais puro da palavra. Amo sem interesse, cobrança. Acredito que amo por aceitar. Aceito quem você é, o que me faz, como me quer. Aceito a vida que nasceu em mim, aceito que porto duas pessoas em um único corpo e, este segundo "eu" que não me pertence, é tão prepotente quanto aquele em que se espelha a ponto de involuntariamente virar-se para onde quer que ele esteja.
Procuro aromas que me remetam a qualquer lugar presente no meu pretérito perfeito, atento os olhos às fotos que não deixo passar sem antes analisar milimetricamente cada detalhe de um rosto que me é tão enigmático, ouço ruídos corporais, notas musicais que me transportam para outros lugares, me fazendo reviver o que a vida já me deu de mais belo. Toco meu travesseiro, acaricio-o na busca desesperadora de substituí-lo por seu peito que ostentava meus cabelos e me fazia adormecer e, saboreio após todos esses sentidos o amargo gosto salgado das lágrimas já que tudo o que conheço de mais sublime é vivido em solidão. Uno então os cinco sentidos de todo ser humano ao sexto nem tão exposto assim; uma mistura que só você me faz sentir e mal sei explicá-la, mas posso, com firmeza, ressaltar o aprendizado que você me ofereceu - o do amor e o da esperança! Grata...
Assinar:
Postagens (Atom)


















